Uma úlcera péptica é uma “ferida” na mucosa que reveste o estômago ou o duodeno. Consoante a sua localização recebe o nome de úlcera gástrica ou úlcera duodenal.
Causas Durante muitos anos a doença ulcerosa foi atribuída a um excesso de produção de ácido pelo estômago (ácido clorídrico e pepsina utilizados na digestão dos alimentos). Actualmente sabe-se que, embora o excesso de ácido seja um dos factores causadores do aparecimento de úlceras, a maioria das lesões ulcerosas deve-se a uma infecção por uma bactéria chamada Helicobacter Pilory. Um terceiro factor importante para a formação de úlceras no estômago e duodeno (principalmente nos idosos) é a utilização crónica ou em doses elevadas de anti- inflamatórios como a aspirina e outros medicamentos usados no tratamento das dores e das doenças reumáticas. O excesso de ácido causa úlceras por lesão directa da mucosa gastrointestinal. Não está completamente esclarecido qual o mecanismo de acção que faz com que o Helicobacter Pilory provoque úlceras. Quanto aos anti- inflamatórios provocam úlceras porque interferem nos mecanismos normais de protecção e reparação da mucosa. Sintomas
Os sintomas da úlcera péptica são dor ou desconforto na parte superior do abdómen (na zona onde se situa o estômago), que surge uma a três horas depois das refeições e durante a noite, e geralmente alivia com a ingestão de alimentos ou o uso de medicamentos anti-ácidos. Nem sempre a dor é tão característica, podendo variar a sua localização ou a relação com o horário das refeições e acompanhar-se de outros sintomas como náuseas, vómitos, enfartamento, estômago inchado e eructações (arrotos). Estes sintomas, embora sugestivos de doença ulcerosa não são exclusivos desta situação; fazem parte de um quadro clínico conhecido como “dispepsia” que em mais de metade dos casos não está associado a úlcera gástrica ou duodenal nem a qualquer alteração física identificável (chama-se então dispepsia funcional, ou seja, resultante de um mau funcionamento do aparelho digestivo). Em situações muito mais raras a dispepsia pode ser causada por problemas graves como o cancro do estômago ou do pâncreas. Nestes casos há habitualmente outros sintomas associados e sugestivos de gravidade , como perda do apetite com emagrecimento acentuado em curto espaço de tempo ou dificuldade em engolir. Tratamento
O tratamento da úlcera péptica visa não só o desaparecimento dos sintomas como a cicatrização da úlcera e a cura da infecção pelo Helicobacter Pilory quando este está presente. Assim, os medicamentos utilizados destinam-se a diminuir a produção de ácido pelo estômago, proteger a mucosa e tratar a infecção. Os antibióticos utilizados são habitualmente três em associação, durante um período curto, enquanto os inibidores da produção de ácido e os protectores da mucosa se mantém por um ou dois meses. Nas úlceras causadas pelos anti- inflamatórios , em que não é possível suspender essa medicação, os doentes devem manter o tratamento com protectores da mucosa ou com inibidores da secreção ácida. Prevenção
Embora a úlcera péptica esteja na maioria dos casos associada à infecção pelo Helicobacter Pilory, há alguns factores que facilitam o seu aparecimento, como: Assim, para tratar a úlcera péptica e prevenir as recaídas , os doentes devem abster-se de fumar, moderar a ingestão de álcool e café, não abusar do consumo de anti-inflamatórios (ingerindo-os sempre com alimentos no estômago) e adoptar práticas como o exercício físico e técnicas de relaxamento que melhorem a sua aptidão para lidar com o stress.
Em caso de dúvidas ou persistência dos sintomas consulte o seu médico ou farmacêutico.
|