Osteoporose

OsteoporoseÉ uma doença esquelética sistémica que se caracteriza pela diminuição da massa óssea e por uma alteração da qualidade microestrutural do osso, levando a uma diminuição da resistência óssea e ao consequente aumento do risco de fracturas.



Factores de risco
Não modificáveis:

  • Sexo feminino - uma em cada três mulheres e um em cada oito homens com mais de 50 anos são afectados pela osteoporose;
  • Idade superior a 65 anos;
  • Raças branca ou amarela;
  • História familiar de fractura.

Potencialmente modificáveis:

  • Menopausa precoce;
  • Hipogonadismo;
  • Períodos de amenorreia prolongada;
  • Índice de massa corporal baixo (inferior a 19 quilogramas por cada metro quadrado;
  • Imobilização prolongada;
  • Existência de doenças que alterem o metabolismo ósseo, como endocrinopatias, doenças reumáticas crónicas, insuficiência renal ou anorexia nervosa;
  • Utilização de fármacos que provocam diminuição da massa óssea, como corticosteróides, anticonvulsivantes e anticoagulantes, antidepressivos, ansiolíticos e/ou anti-hipertensores;
  • Estilo de vida, como dietas pobres em cálcio, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e consumo excessivo de cafeína.
Sintomas
Os sintomas são secundários às fracturas. Quando ocorre nas vértebras, a dor pode ser de dois tipos. Uma é aguda, localizada, intensa, mantendo a paciente imobilizada e relacionada com fractura em andamento. Em situações de dor aguda, inicialmente ela pode ser mal localizada, espasmódica e com irradiação anterior ou para bacia e membros inferiores.
Também ocorrendo com frequência, a dor pode ser de longa duração e localizada mais difusamente. Nestes casos, ocorreram microfracturas que levam a deformidades vertebrais e anormalidades posturais e consequentes complicações degenerativas em articulações e sobrecarga em músculos, tendões e ligamentos.
O dorso curvo (cifose dorsal) é característico e escoliose (curvatura lateral) lombar e dorsal aparecem com grande frequência. Com a progressão da cifose dorsal há projecção para baixo das costelas e consequente aproximação à bacia, provocando dor local que pode ser bastante incómoda. Nos casos mais avançados, a inclinação anterior da bacia leva a alongamento exagerado da musculatura posterior de membros inferiores e contractura em flexão dos quadris e consequentes distúrbios para caminhar, dor articular e em partes moles. Compressão de raiz nervosa é muito rara.

Tratamento
As drogas utilizadas no tratamento da osteoporose actuam diminuindo a reabsorção óssea ou aumentando sua formação.

Agentes anti-reabsortivos
Não há consenso se estas drogas somente estabilizam ou aumentam discretamente a massa óssea ou se produzem ganhos significativos.

Estrogénio
Não há idade limite para se iniciar reposição hormonal. A rigor, se houver densidade óssea abaixo de um desvio padrão para a idade, o tratamento deve ser indicado pelo menos para mulheres até 75 anos de idade (ver adiante: terapêutica combinada). Entretanto, nestes casos, outras drogas anti-reabsortivas podem estar melhor indicadas.
Recomenda-se a toda paciente que pretende usar hormonas indispensável aconselhamento e acompanhamento com ginecologista.

Calcitonina e Bisfosfonatos
Inibem a actividade dos osteoclastos. Têm as mesmas indicações e resultados que os estrogénios e acção analgésica que torna atraente seu uso em fracturas por osteoporose. É uma alternativa para as mulheres que não podem ou não querem usar estrogénios.
As calcitoninas de salmão são as mais resistentes a degradação no homem e, por isto, são as mais potentes. Porém, o uso de calcitonina tem se restringido aos pacientes que não toleram bisfosfonatos e também aos episódios de fractura.
Há formas distintas de bisfosfonatos com potência e tempo de acção diferentes que são utilizados para outras doenças ósseas. Etidronato é o mais antigo bisfosfonato usado em osteoporose e, mais recentemente, foram lançados o alendronato e o residronato. São altamente eficazes.
Os bisfosfonatos devem ser administrados longe de refeições e é necessária suplementação de cálcio.

Cálcio
A quantidade de cálcio alimentar necessária para manter a massa óssea é desconhecida. Propõe-se que adolescentes recebam 1200 a 1500mg/dia, homens 800mg, mulheres na pré-menopausa 1000mg, mulheres na pós-menopausa 1500mg, mulheres grávidas e em período de lactação devem receber 1200 a 1400mg/dia e idosos 1200 a 1600mg/dia.
O pico de massa óssea atingido na idade adulta tem um componente genético importante mas, certamente, deficiência de ingestão e aumento de oferta interferem em alguma proporção.

Vitamina D
O uso de vitamina D nos idosos é indispensável para aumentar a absorção intestinal de cálcio e estimular o remodelamento ósseo. Recomenda-se o uso de 800U de vitamina D ou 0,50ug de calcitriol ou alfacalcidol.

Estimulantes da formação óssea
Fluoreto de sódio
Fluoreto de sódio é um potente estimulador da actividade osteoblástica. Vários estudos mostram aumento da densidade do osso trabécular mas, aparentemente, sem reduzir o número de fracturas. São muito pouco utilizados, limitando-se às situações em que precisamos estimular o osteoblasto.

Paratormona (PTH) intermitente em doses baixas

À semelhança do que ocorre com fluoreto, parece que, dependendo da dose e tempo de uso, PTH pode aumentar a osteoporose. Enquanto estas questões não estiverem resolvidas o PTH não poderá ser usado rotineiramente no tratamento da osteoporose.

Prevenção
Algumas medidas podem reduzir o risco de uma pessoa desenvolver osteoporose e numa pessoa que já tenha osteoporose, que os ossos se tornem mais fracos. E quanto mais cedo essas medidas forem tomadas mais eficaz será a prevenção.

Ingestão de cálcio
Uma ingestão inadequada de cálcio ao longo da vida é um factor que contribui significativamente para o desenvolvimento da osteoporose.
As principais fontes de cálcio são o leite e derivados (queijo e iogurte); vegetais verde escuro (brócolos, espinafre, couve etc), amêndoas, peixes e alimentos fortificados com cálcio.
As mulheres na pós-menopausa e homens idosos também devem consumir mais cálcio, devido a uma ingestão de quantidade inadequada de vitamina D, que é necessária para a absorção intestinal do cálcio, e da menor eficiência dos ossos em absorver o cálcio e outros nutrientes.
As quantidades recomendadas de cálcio que devem ser consumidas por dia são: 1.000mg de cálcio por dia para pessoas entre 31 e 50 anos, e 1.200mg para pessoas com mais de 50 anos.
Algumas vezes, para se alcançar as quantidades recomendadas é necessário a suplementação de cálcio, que pode ser feita com carbonato de cálcio e citrato de cálcio. Entretanto, deve-se tomar o cuidado com o uso da suplementação, pois a ingestão de mais de 2.000mg de cálcio por dia pode aumentar o risco de problemas renais.

Vitamina D
A vitamina D é importante na absorção do cálcio no intestino e na saúde dos ossos. Embora muitas pessoas sejam capazes de obter vitamina D em quantidade suficiente através da alimentação, a produção diminui nas pessoas idosas, nas pessoas confinadas ao interior da casa e durante o inverno, essas pessoas podem necessitar de suplementação para garantir a obtenção diária de 400 a 800UI desta vitamina. Não são recomendadas doses maciças de vitamina D, mais de 2.000UI de vitamina D por dia pode lesar o fígado e podem até diminuir a massa óssea.

Exercício físico
Assim como os músculos, os ossos tornam-se mais fortes com as actividades físicas. Os melhores exercícios para os ossos são os exercícios de sustentação do peso, que força a pessoa a trabalhar contra a gravidade. Esses exercícios incluem a caminhada, corrida, subir degraus, musculação e dança.

Prevenção de quedas
As quedas são uma importante preocupação para as pessoas com osteoporose. As quedas aumentam o risco de fracturas dos ossos do quadril, punho, coluna ou outras partes do esqueleto.
Algumas medidas simples ajudam a prevenir as fracturas, como usar sapatos com sola de borracha, evitar tapetes, prestar atenção aos degraus e se apoiar em corrimãos, usar iluminação adequada na casa de banho e manter pisos antiderrapantes na banheira.

Parar de fumar
As mulheres que fumam tem níveis menores de estrogénio comparadas com as que não fumam e podem desenvolver a osteoporose mais precocemente. As mulheres na pós-menopausa que fumam necessitam de doses maiores de terapia de reposição hormonal e podem ter mais efeitos colaterais; os fumadores também absorvem menos o cálcio de seus alimentos.

Diminuir a ingestão de álcool
O consumo regular de 2 a 3 doses por dia de álcool pode ser prejudicial para o esqueleto, mesmo em pessoas jovens. Além disso, as pessoas que consomem grandes quantidades de álcool são mais propensas a ter perda óssea e fracturas, devido à desnutrição e o maior risco de quedas.

Em caso de dúvidas ou persistência dos sintomas consulte o seu médico ou farmacêutico.