A uricémia, ou seja, o doseamento do ácido úrico no sangue circulante, é o resultado final da degradação das purinas (constituinte dos ácidos nucleicos), que provêm de três fontes principais: dos alimentos (apenas 10% está relacionada com a dieta), do fabrico endógeno de purinas e do catabolismo dos ácidos nucleicos.
Os resultados normais para a uricémia encontram-se entre os seguintes valores:
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No homem: até 7 mg/dL
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Na mulher: até 6 mg/dL
acima destes valores estamos perante um quadro de hiperuricémia.
Níveis muito elevados de ácido úrico o sangue têm tendência a formar cristais que posteriormente se acumulam nos tecidos e nas articulações. Esta acumulação de ácido úrico, dá origem a dores muito fortes acompanhadas por um processo inflamatório localizado. Quando a cristalização do ácido úrico ocorre nos rins, pode dar origem a cálculos renais.
Causas
Valores elevados de ácido úrico no sangue – hiperuricémia - podem ser provocados por dois mecanismos: por um aumento da produção de ácido úrico ou por uma diminuição da sua eliminação pelo rim.
As leucemias, as hemólises (destruição maciça de glóbulos vermelhos) e nos tratamentos de quimioterapia, nomeadamente com citotóxicos, são algumas situações que aumentam a produção de ácido úrico, por degradação dos ácidos nucleicos endógenos.
Por outro lado, a insuficiência renal crónica e os tratamentos prolongados com diuréticos, pode ser causa de hiperuricémia por diminuição da eliminação do ácido úrico pelo rim.
A gota, uma doença associada à acumulação de ácido úrico nos tecidos, devido a uma maior solubilidade dos uratos, apresenta habitualmente hiperuricémia, embora sejam frequentes as flutuações do doseamento de ácido úrico, e as crises de gota podem ser acompanhadas de uma baixa transitória de uricémia. A gota pode ser causada por uma predisposição genética, sendo esta a causa mais comum. No entanto, poderá também ser causada por uma má alimentação, ingestão de certos medicamentos ou outras doenças. Uma alimentação rica em gorduras, em proteínas animais e com excessos de álcool contribui moderadamente para o aparecimento da doença, no entanto, o abuso continuado de certos alimentos poderá desencadear crises de gota frequentes. Alguns medicamentos poderão agravar a concentração de ácido úrico no sangue, aspirina em doses baixas e medicamentos diuréticos. Existem também doenças associadas ao aparecimento da gota, insuficiência renal, hipertensão arterial, psoriase e alguns tipos de anemias.
Factores de risco
As pessoas com maior risco de desenvolver gota úrica são as que:
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Consomem grandes quantidades de purinas na dieta, associadas ao consumo de proteínas animais;
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Ingerem álcool em excesso;
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Usam fármacos como as tiazidas e alguns tuberculostáticos;
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Têm compromisso da função renal;
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Apresentam desidratação ou acidose;
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Têm risco de exposição a nefrotóxicos como o chumbo;
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Sofrem de doenças hematológicas com produção celular excessiva.
Sintomas
Geralmente assintomática, está relacionada a outras doenças, como diabete mellitus, hipertireoidismo, uso abusivo de diuréticos e ingestão alcoólica.
A crise de gota manifesta-se por uma inflamação na articulação acompanhada por calor, inchaço e dor intensa. Frequentemente manifesta-se na articulação do dedo grande do pé e tornozelo. Manifesta-se normalmente durante 5 dias e desaparece espontaneamente. Durante as crises de gota é possível controlar as dores e a inflamação com anti inflamatórios sistémicos, ibuprofeno e nimesulide ou a colchicina. É possível medir Os níveis de ácido úrico no sangue através de exames laboratoriais. No entanto estes valores por si só não são suficientes para diagnosticar a doença da gota. É importante saber que a gota por si só não é uma doença grave mas está associada a outras doenças mais graves como a hipertensão arterial, valores altos de colesterol, triglicéridos, diabetes e obesidade. Tratamento
No tratamento da hiperuricemia é necessário:
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evitar o ataque agudo de artrite úrica (gota);
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usar anti-inflamatórios e anti-alérgicos nas crises de dor;
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usar hipo-uriceminantes na super-produção e uricosúricos nos pacientes que eliminam mal o ácido úrico pelo rim;
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fazer a profilaxia da recorrência das artrites, litíase, nefrite e gota;
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diminuir os factores predisponentes como álcool, dieta inadequada e medicações que diminuam a excreção de ácido úrico pelo rim;
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prevenir e reverter a deposição de cristais de uratos nas articulações, ossos e tecidos;
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prolongar por tempo suficiente o tratamento para que os uratos sejam desmobilizados dos tecidos e ossos e que o valor plasmático do ácido úrico volte ao normal.
O tratamento da gota envolve controlar a dieta e tratar as doenças associadas e as crises. É conveniente reduzir o consumo de carnes vermelhas, mariscos, miúdos e enchidos, é fundamental controlar o consumo de álcool. O tratamento dos níveis de ácido úrico é feita com fármacos tais como o alopurinol e a benzobromarona.
Prevenção
A prevenção da hiperuricémia recai necessariamente na adequação dos hábitos alimentos do doente. Este terá que seleccionar da sua dieta um leque de alimentos que favoreçam a diminuição dos valores de ureia circulante e, pelo contrário, rejeitar alimentos que aumentem a concentração da mesma no plasma.
Alimentos proibidos:
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Miúdos em geral (miolo, fígado, rins, coração, moela);
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Alguns alimentos do mar, como sardinha, mexilhão, anchova, bacalhau, salmão, truta, atum, arenque, camarão, lagosta, ostra, caranguejo;
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Algumas aves, como pombo, ganso, peru, galinha;
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Carne de porco, embutidos, toucinho defumado, bacon;
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Caldo de carne e molhos prontos;
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Feijão, ervilha, lentilha, grão de bico, trigo;
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Frutas oleaginosas como: coco, nozes, castanha, amêndoas, amendoim, etc;
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Presunto, banha, extracto de tomate, chocolate, pão de centeio;
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Alho poro, espargos, brócolos, cogumelo, espinafre;
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Todos os grãos e sementes
Alimentos de consumo moderado:
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Carnes magras (pato, bifes duros);
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Peito de frango, filete de peixe (pescada branca);
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Procurar não ultrapassar 2 porções pequenas destas carnes por dia.
Alimentos recomendados:
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Leite e iogurte desnatados, queijo branco;
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Ovos;
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Vegetais (excepto os acima);
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Pães brancos e biscoitos de água e sal;
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Frutas em geral;
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Massa, arroz e batata;
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Óleos vegetais (girassol), em quantidade moderada.
Em caso de dúvidas ou persistência dos sintomas consulte o seu médico ou farmacêutico.
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